Eu achei que eu sabia o que era cansaço. Então, me tornei mãe.

Obviamente que eu imaginava que a maternidade me apresentaria sentimentos que eu não conhecia, mas eu não contava que nesse pacote de novas experiências estaria o mais absurdo e intenso cansaço já vivenciado por essa que vos escreve.

Eu achei que eu sabia o que era se sentir cansada. Então, eu me tornei mãe.

O cansaço na maternidade é algo discrepante dos demais cansaços. A gente não para nunca, é fazendo a cama, é fazendo supermercado, preparando refeição, é oferecendo a refeição de maneira que sempre pareça a mais incrível de todas as refeições já servidas nesse planeta, é limpando a louça, a cadeira de alimentação, é limpando as migalhas que voaram chão a fora,  é organizando brinquedos, é assoprando arranhões, é colocando gelo em machucados, é dando banho, é cortando unhas, é procurando pé de meias que se perdem e por ai vai.

E tudo isso não é nada comparado ao esgotamento emocional.

É totalmente inexplicável a ligação que temos com os nossos pequenos. Quando eles se machucam nós sentimos a dor. Quando ficam tristes essa tristeza entra dentro da gente e se torna mais nossa do que deles. Quando eles se sentem envergonhados nós queremos ocultar essa situação com todo o nosso poder de mãe. E quando estão felizes e sorrindo uma leveza invade a nossa alma e o nosso sorriso vem de forma totalmente involuntária porque vem de dentro. Quando eles se mostram confiantes cheios de inciativa a gente não tem como expressar, mas só agradecemos tamanho amor e generosidade de Deus para com a gente.

E quando eles se machucam de propósito para chamar a nossa atenção? E quando a gente vê o nosso pequeno fazendo algo que já pedimos que não fizesse pois pode se machucar? e quando a gente precisa explicar mais de 100 vezes ao dia que determinada brincadeira não é segura e mesmo assim ele continua fazendo? É cansativo, é desgastante e me faz imaginar como deve ser dolorido quando eles forem mais velhos, talvez lá pelos dezoito ou vinte e poucos anos e tomarem decisões contrárias ao que seria melhor para eles, e nós não pudermos mais só levantar e evitar que o faça…

Meu filho hoje tem dois aninhos recém completados e eu posso dizer para mães de bebês “Se você pensa que o difícil da maternidade é acordar no meio da madrugada, espere até chegar na fase de disciplinar.” E da mesma maneira sei que mães de adolescentes e jovens me diriam. “Se você pensa que é difícil educar um menino de dois anos espere até você ter um filho adolescente”.

Não é fácil para mim, não é fácil para você e para nenhuma mãe.

Por isso permita-se, tire uma soneca no meio da tarde se quiser, sente no meio da bagunça e leia alguma coisa que te prazer, peça pizza no meio da semana se a sua vontade não for cozinhar. Vá dormir mais cedo e deixe a louça na pia, acredite, elas vão estar te esperando na manhã seguinte.

Mãe de Hoje por Cintia Marques