Educar é o trabalho mais difícil do mundo.

Cada dia mais eu percebo que valores como amor, paciência, respeito, mais amor e mais paciência são fundamentais na difícil tarefa de educar.

Tenho colocado tudo isso em prática aqui em casa, mas percebo que em alguns momentos me falta alguma técnica, algum método que me ajude. Pensando nisso tenho conversado com amigas com filhos na mesma faixa etária e acredite, todas estão enfrentando os mesmos desafios, obviamente que nem todas estão confortáveis em compartilhar suas frustrações e desapontamentos, mas acredite todas estamos na mesma. Cada uma tem um ponto de vista mas os objetivos são sempre os mesmo, disciplinar esses pequenos.

Diante das cenas de guerra que temos tido aqui em casa eu tenho buscado saber mais sobre o assunto, tem muita coisa nova rondando por ai, Criação com Apego e Disciplina Positiva, as conhecidas técnicas da Super Nanny, e o método que lembra bastante a didática que foi utilizada com gerações passadas o “Crianças Francesas não fazem Manha” (a que eu menos me identifico), creio que a gente consiga tirar coisas bacanas e altamente aplicáveis de todas essas teorias é métodos. Mas antes de escolhermos a que melhor se aplica a sua família, eu acho importante que a gente consiga entender como funciona o desenvolvimento  dos nossos pequenos, acho muito importante que a gente entenda o que passa pelas cabecinhas deles (literalmente falando).

A grosso modo o nosso cérebro é dividido em três partes, Os bebês nascem com apenas uma dessas três totalmente desenvolvida, essa parte é apelidada pelos cientistas como Cérebro reptiliano, e é parte responsável por regular funções básicas relacionadas à sobrevivência, como fome, respiração e digestão.

A segunda parte é o cérebro mamífero,ele é equipado com habilidades para a convivência e a construção de relações sociais. Também conhecido como cérebro emocional, inclui o sistema límbico, estrutura cerebral que desperta emoções fortes, como raiva, medo e estresse associado à separação, essa parte do cérebro tem um pico de desenvolvimento dos 2 aos 4 anos com um segundo pico na adolescência, isso explica muita coisa, não é mesmo?

O neocórtex que comanda a pensamento racional, a capacidade de solucionar problemas, imaginação e criatividade só atingem sua maioridade por volta dos 22 anos, até lá são muitos neurônios para serem preparados.

Neuro cientistas explicam que um episódio de birra para uma crianção dos 18 meses ate os 4 anos, significa que um dos três alarmes foram acionados: raiva, medo ou temor da separação . O estimulo pode ser quando um amiguinho tira um brinquedo da mão dele, quando ele tem que ir embora do parquinho, ou quando ele não pode tocar naquele vaso de vidro na casa da titia. O não desenvolvimento da parte superior do cérebro faz com que ele não seja capaz de racionalizar e se acalmar.

Isso quer dizer que os nossos pequenos não são capazes de compreender a razão da maioria dos limites que impomos a eles, e mesmo quando conseguem entender eles ainda não tem autocontrole desenvolvido pra segui-los.

Dicas de como lidar com as crises:

A argumentação com menores de 4 anos não surtirá nenhum efeito, especialistas sugerem que atrair a atenção da criança para outra coisa é a melhor opção. Essa técnica é chamada de redirecionamento e bastante utilizada na Disciplina Positiva.

Quando perceber que uma crise de birra está se aproximando uma boa opção é colocar o pequeno para correr. Cientistas explicam que a atividade física é capaz de alterar a química cerebral e evitar que hormônios relacionados ao estresse tomem conta da situação.Li essa dica e já coloquei em prática, e foi sucesso absoluto aqui com o Luca, evitamos uma suposta birra que eu percebi que viria com força total jogando bola e correndo. Quando eu o convidei para brincar ele se recusou, mas foi só ele me ver correndo com a bola que ele logo se levantou e veio brincar.

Acredito que acima de tudo o nosso controle diante da situação é fundamental, o nosso estado emocional tem grande impacto sobre o comportamento dos pequenos, aqui em casa é nítido que nos dias que eu estou com menos paciência, mais cansada, TPM ou qualquer coisa assim, são os dias que o Luca apresenta um comportamento que requer muito mais de mim. Mas quando é ele quem está tenso eu que já tenho meu neocórtex bem desenvolvido, me controlo para não entrar na mesma sintonia, que certamente só complicaria a situação.

Acreditem, é uma fase e vai passar. Se pararmos para pensar a gente não vê crianças de 6 anos ou mais velhas dando escândalo no supermercado nem jogada pelo chão do shopping. Pelo menos não com a mesma frequência e intensidade que vemos uma de 2 anos.

Tenho certeza que em alguns dias eu vou voltar aqui e ler novamente esse post, em algum momento quando a paciência estiver se esgotando é sempre bom lembrar o quão pequenos, indefesos e incapazes eles são. Por mais que naquele momento de fúria a gente queira acreditar naquela voz que te diz “Ele tá tentando te manipular, mandar em você, que não tem limites, ele é terrível.”  A gente põe o neocórtex para funcionar e então nos lembramos que eles são só crianças e todo o equilíbrio que eles precisam não estão em nenhum outro lugar senão em nós mães.

 

Mãe de Hoje por Cintia Marques

 

 

Para quem tiver interesse em saber mais sobre esse assunto:

The Whole Brain Child
Daniel J. Siegel, The Random House, 2011