Que tal trocarmos os presentes materiais por experiências?

Crio o meu filho na sociedade mais consumista do mundo e como é difícil a gente se desvencilhar dos laços que nos é imposto.

Mesmo antes de sermos pais meu marido e eu já conversávamos sobre isso, o consumismo em excesso é um distúrbio da sociedade contemporânea que quando aplicado a infância trás graves consequências para a idade adulta como depressão e ansiedade. Mas e ai, como é que a gente se esquiva desse distúrbio?

Aqui nos EUA os produtos de consumo como roupas, sapatos e brinquedos como todos vocês já sabem tem um preço mais acessível e por esse motivo a maioria das casas com crianças tem uma quantidade absurda de brinquedos de todos os tipos, as vezes diversos do mesmo modelo mudando apenas a cor ou o tamanho. E claro que eles nunca estão satisfeitos com o que tem e sempre querem mais e mais. O que é uma coisa normal, a curiosidade tão presente na infância faz como que desejem cada dia mais.

Uma criança não precisa de uma exorbitância de brinquedos para estimular a criatividade, muito pelo contrario. O que eu sempre achei e hoje com o Luca só me confirma é que esse amontoado todo faz com que ele não foque em nenhum. Hoje duas semanas após o aniversário de 2 anos do meu filho estamos vivendo nessa casa o que eu sempre julguei ser uma casa entulhada, de uma familia que não consegue se encontrar diante de tantos supérfluos, há brinquedos espalhados por toda a casa.

Temos duas áreas de brinquedos aqui em casa, uma é o quarto dele e uma outra é um canto da sala. Claro que sempre tem um briquendo perdido aqui e acolá, mas sempre que encontramos direcionamos para o lugar determinado. Acho importante ele sabe que a casa é da familia e para que todos vivam bem dentro dela é preciso respeitar os espaços de cada um, não estamos confortáveis com a maneira que as coisas estão aqui em casa  e por isso temos uma programação para o final de semana, organizar e separar os brinquedos que serão doados, para cada peça que entra nova uma tem que ser doada para quem precisa.

A doação e o consumo de forma responsável é algo que a gente precisa trabalhar com os pequenos desde sempre.

É claro que é muito mais fácil comprar aquele brinquedinho de $1 no mercado só para distrai-los e a gente conseguir terminar as compras sem grandes dramas. Mas e ai, o que estamos ensinando á eles?

O Luca ainda é muito pequeno para entender, mas tem duas palavras que eu faço questão que ele cresca sabendo bem a diferença entre elas, que é Desejos e Direitos.

Não é porque ele quer um brinquedo que nós temos que comprar.  Ele sabendo diferenciar essas duas palavras as coisas podem ficar mais fáceis, pois quando existe essa confusão entre elas fica mais ou menos assim: “Se eu quero você tem que me dar, se você não me dá é porque não me ama, se eu não sou amado eu posso agir como eu bem entender”.  E é por ai que vemos pais que gastam o que não tem para comprar aquele tenis, aquele jeans ou aquele celular que não cabe no orçamento da familia, mas que mesmo assim eles se individam e compram pois se ele não comprar o filho não vai se sentir amado. Você com certeza já viu casos como esse.

Perae, tem alguma coisa errada ai. As crianças os adolescentes consumistas de hoje não nasceram assim, elas foram formadas. Quem as orientou? Quem as acompanhou? Como foi que elas foram direcionadas? Não tem para onde correr, a resposta é e para sempre será nós, os pais. Somos nós os responsáveis pela formação dessas crianças, como toda certeza hoje é muito mais fácil comprar o tal brinquedinho do mercado do que aguentar choro, mas como quase tudo na vida o mais fácil nem sempre é a opção mais inteligente e com menores consequências.

Vamos repensar sobre a forma de consumir, vamos doar mais do nosso tempo com os nossos filho e menos do nosso dinheiro.

Que tal trocarmos os presentes materiais por experiências?

Que tal ao invés de uma boneca você presentear com ingressos do cinema ou uma peça de teatro?

Que tal se ao invés de um carrinho você oferecer com um piquenique delicia no parques, ou entradas para o zoologico?

Eu tenho certeza que criando memórias, alimentando o amor e praticamos o respeito todos nós saimos ganhando.

Mãe de Hoje por Cintia Marques