Quando uma mãe diz que está cansada ela não quer dizer nada além disso, ela só está cansada!

Vivemos dias de pouca solidariedade e quase nenhum acolhimento, e no momento que levamos isso para a maternidade  essas palavras tonam-se artigos de luxo. Afinal, quem nos dias de hoje se dispõe a escutar uma mãe? Quem está disposto a acolher? Escutar é escutar mesmo, e eu bem sei que é um exercício muito difícil de se fazer. Quantas pessoas nos escutam? E nós, quantas pessoas nós verdadeiramente escutamos? Será que escutamos realmente os nossos filhos?

Quando a gente ouve alguém a gente ouve e ponto, o silêncio é acolhedor, ou um simples “te entendo” é uma espécie de alento para quem desabafa algum tipo de aflição.  Quando uma mãe quer desabafar que está cansada, esgotada e sem forças ela não está querendo te dizer que se arrependeu de ter tido filhos ou que não ama esses filhos, ela está dizendo que realmente está cansada. Quando uma mãe reclama o quão difícil é educar ela não está pedindo para que você eduque o filho dela. Ela está só desabafando, nada mais além disso.

Pensando que nós só conseguimos olhar para os outros e para o mundo de nossa própria perspectiva, sempre teremos uma idéia parcial e muitas vezes tendenciosa do que seja estar na pele ou na vida dessa outra mãe. É por isso que existe a idéia e a experiência da empatia, que seria tentar se colocar no lugar do próximo e olhar pela sua perspectiva. Tentar imaginar como o outro vive, como se sente e por que é que ela se sente dessa maneira. Difícil ter empatia, ainda mais em tempos tão complicados para as relações humanas. Por vezes não conseguimos nem ter empatia com a gente mesmo, que dirá com os outros.

Quando a gente ouve o que ela tem a dizer só esperando para dar uma resposta o que estamos fazendo é tentar calar a fala dessa mãe e na grande maioria das vezes com uma resposta que mostre a nossa superioridade no assunto algo do tipo lição de moral. E triste quando isso acontece, é muita crueldade com quem está ali em um momento de fragilidade se abrindo buscando uma palavra de apoio.

Mas então o que eu posso dizer?Bom, antes de dizer qualquer coisa, melhor se dar conta do quão pouco sabemos. E de que não temos nenhuma verdade absoluta a oferecer para ninguém. E se lembrar que cada família é uma família.

Apenas ouça e demonstre compaixão. Nada de pregação, nada de aula. Um simples “Calma, vai passar” faz uma diferença considerável quando estamos tendo um dia dificil.

A verdade é que todas nós mães em algum momento da nossa caminhada nos sentimos cansadas, esgotadas, sozinhas, perdidas, tristes, infelizes ou com raiva. Mesmo que a sua fase do olho do furacão já tenha passado tente se lembrar que para você também foi dificil, essa é uma maneira de exercitarmos a nossa empatia, lembra que você também já se sentiu assim, talvez por motivos diferente, talvez com outra intensidade, mas isso não é desconhecido para nenhuma mãe.

Mesmo que as aflições que a maternidade nos apresenta não sejam tão infinitas, o caminho que cada uma de nós percorremos para dar conta das mesmas questões é totalmente individual. É preciso mais empatia, é preciso mais solidariedade, é preciso mais amor!

Mãe de Hoje por Cintia Marques