O que é ideal para você pode não ser para mim, e não há nada de errado nisso.

Ai você se casa e logo vem a cobrança, “Não vai engravidar não? cuidado hein, não é bom demorar muito.”

E se você decidiu por não ter filhos? Será crucificada pelo resto da vida, “Aff, que vida solitária, esta condenada a ser infeliz.”

Quando você tem o primeiro não tarda muito até que comecem a perguntar,  “E ai, quando vem o segundinho? “

De repente o seu desejo é um único filho, “Nossa, que egoísta. Toda criança precisa de um irmão.”

Ai você tem dois meninos e começa a ouvir, “Ah, mas vai tentar uma menininha, né?” ou quando é ao contrário “Não vai ter um menininho?”

Se você optar por ter três ou mais filhos certeza que vai ouvir, “Tá louca, quem é que nos dias de hoje tem mais que dois filhos.”

Ai eu paro e penso, quando é que nós vamos aprender a respeitar a decisão de cada família, de cada mulher, de cada mãe? quando é que vamos entender que nem tudo que é bom pra mim é bom para o outro? quando é que vamos parar e ponderar sobre o que falamos, sobre o que escolhemos e porque assim escolhemos. Quando é que vamos refletir  a nosso respeito e deixar de seguir a boiada? Não, ninguém precisa ser igual a ninguém, e não é!

Fomos educados de maneira a não pensar, muitas vezes a gente nem repara que está sempre fazendo essas perguntas por ai. Crescemos com isso e seguimos da mesma maneira, pois quem pensa, questiona e isso da um trabalhão danado, é melhor não inventar moda, não cause problemas, deixa quieto como está, seguindo o ciclo.

Construir o nosso próprio caminho e sustentá-lo não é uma coisa fácil. E quando a gente descobre essa importância depois de crescido dá mais trabalho ainda, Por isso que valorizo muito a individualidade do meu filho, e gosto sempre de reforçar essa importância. Quero que ele cresça sabendo que ele não precisa gostar de futebol só porque todo mundo gosta, ele não precisa ouvir rock sem gostar só porque está na moda, ele veio para ser quem ele é, e o meu papel como mãe é estar ao lado dele, sempre o direcionando para o caminho do bem, e sempre ressaltando o valor que tem a sua singularidade.

O que vale para mim não precisa valer para você ou para nenhuma outra mulher. Tenho grandes amigas que ainda não tiveram filhos e que não tem planos de tê-los. Outras que tem um único filho e pretendem permanecer dessa maneira. Tenho outras tentando o segundo, terceiro ou quarto filho. Nenhuma delas escapa dos momentos de dúvidas, de questionamentos, de medo. Nenhuma.  E nada disso garante que eu seja, que elas sejam ou você seja  feliz o tempo todo com as decisões que tomamos. Pode ser que as mulheres que decidiram não ter filhos se arrependam, como também quem optou por tê-los tenha algum arrependimento um dia. E isso não tem nada a ver com a decisão em si, isso é o curso natural da vida. As coisas mudam, decisões tomadas hoje podem não fazer mais sentido no futuro. E quando essa decisão inclui filhos, essa mudança não faz com que se possa voltar atrás, nem para quem teve nem para quem não teve. Tudo bem com isso, ou não. Mas é assim que a vida é.

Eu Cintia, sou feliz com a decisão de ter tido filho. Principalmente, sou feliz com a escolha de tê-lo tido mais tarde (fui mãe aos 35). Não tenho a sensação de que perdi coisas ou que deixei de fazer coisas. Se eu acertei na minha escolha? Para mim hoje eu digo que sim. Mas essa sou eu.

Não da para ser igual para todo mundo, ninguém é igual a ninguém, por que é que esperam que todos façam as mesmas opções?

 

Mãe de Hoje