Que eu nunca me esqueça de agradecer por ter o meu colo preenchido.

Uma vez que você é mãe nunca mais na vida você dorme tranquila,  nunquinha, jamais, never, jamé. Eu não estou falando das noites que passamos acordadas por conta das cólicas, amamentando ou acalentando a cria que chora por qualquer outro motivo. O que eu estou dizendo é que nós mães teremos para sempre uma imensa preocupação relacionada aos nossos filhos, o amor de mãe ele não anda sozinho, junto dele está sempre o medo de que algo aconteça.

A gente costuma sempre repetir que criamos os nossos filhos para a vida e não para nós, o que é uma verdade, a questão é que a vida e a morte caminham lado a lado. E é exatamente esse o ponto de partida de toda essa preocupação na vida de todas nós, mães. Desde o momento que recebemos a benção de gerar uma vida, a gente nunca mais vai se ver livre dessa tão presente preocupação materna.

Hoje eu estava tentando trocar o Luca, quase atrasados para aula de natação e ele como eu já disse antes está vivendo toda aquela belíssima independência dos seus quase dois anos, estamos vivenciando auge dos terrible twos. Ele corria pela casa falando: Não, não, não! E eu atrás dele contando até dez pela quadragésima sexta vez para não perder a paciência, e olha que ainda era 11:000 da manhã. Pois bem, eu me sentei no chão com a roupa nas mãos, curioso como eles são nessa idade ele logo cede e vem ver o que eu estou fazendo e eu consigo finalmente vesti-lo, aguardando esse momento e fui dar aquela zapeada no Facebook.

Todas as manhãs eu corro no grupo de mães para saber noticias de uma menininha linda de 6 meses, que até poucas semanas atrás era uma menina saudável e cheia de vida, até que apresentou uma febre de origem desconhecida  e que de repente precisou ser hospitalizada, o quado dela se agravou mas ela lutava bravamente pela vida em uma UTI de um hospital em São Paulo,  eu sentada ali naquele chão no meio da sala descobri que enquanto eu me descabelava correndo atrás do meu filho, um menino alegre e cheio de saúde, nesse mesmo momento uma mãe verdadeiramente se descabelava de desespero em receber a noticia de que a sua filhinha, sua bebê não resistiu e havia falecido.

Nesse momento o mundo parou e eu só queria abraçar o meu Luca… As lagrimas rolavam sem que eu percebesse, e eu só conseguia pensar o quão injusta eu tenho sido.

Que injusta que eu estou sendo quando meu marido me liga no meio do dia para saber como está sendo o meu dia, e eu só sei me lamentar que o meu dia está sendo difícil, e que o motivo é o comportamento do meu filho.

Que injusta eu estou sendo quando eu digo que o meu filho acabou com a minha manhã, por se recusar a sentar-se na cadeira do carro.

Que injusta eu estou sendo quando me queixo que meu filho acordou no meio da noite e só voltou a dormir no meu colo.

Que injusta eu sou quando reclamo que todas as noites tenho dezenas de brinquedos espalhados pela sala para recolher.

Nem que eu me esforce eu não sou capaz de imaginar o que essa mãe está sentindo nesse momento, mas eu tenho toda certeza do mundo que ela daria tudo na vida para ser acordada no meio da noite com o choro da bebê dela, para ter brinquedos da filhinha dela espalhados pela casa, para ter uma pilha de roupas de bebê para lavar, para ter um banheiro para secar depois da bebê ter feito aquela bagunça na banheira. Ela estaria disposta a fazer tudo isso e muito mais do que eu e você reclamamos todos os dias.

Quando uma esposa perde o marido ela se torna viúva. Quando um filho perde a mãe ou o pai ele é órfão. Mas para a mãe que perde um filho não existe nenhuma palavra que se encaixe, tamanha a dor. Uma dor imensa descrita por alguns como uma violência na alma. Ela vai continuar sendo mãe, mas uma mãe de um bebê com asas.

Que Deus na sua infinita bondade conforte o coração dessa mãe, esquecer ela jamais esquecerá, mas que ela aprenda a conviver.

E que a gente não permita que o cansaço da exaustiva rotina de mãe, nos impeça de manifestar o quanto somos gratas por termos os nossos colos preenchidos com o melhor de nós, nossos filhos.

Mãe de Hoje

 

 

One Reply to “Que eu nunca me esqueça de agradecer por ter o meu colo preenchido.”

  1. Lindo texto! Me emocionei!! Que eu nunca me esqueça de agradecer por ter o meu filho no colo! ❤??❤

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