Para que mundo você está criando o seu filho?

Eu fui educada no método tradicional de criação onde a violência física e verbal não só era permitido, como muito comum.

Eu tenho certeza de que a minha mãe na época fez o que ela sabia fazer, eram outras épocas, as informações não eram tão acessíveis como são hoje, e dentro do que ela tinha como referência era o que ela podia oferecer, esse cenário não era vivido apenas dentro da minha casa, esse era o modelo de educação utilizado pela grande maioria das famílias nos anos 80 e 90.  Eu não sou e nunca fui uma filha revoltada, hoje entendo a minha mãe, sei dos caminhos que ela percorreu e o porque dela ter sido a mãe que ela foi. E sinto muito orgulho dela quando ela se diz arrependida, e que se fosse hoje ela certamente agiria diferente. É exatamente nesse ponto que eu quero chegar.

A violência não pode ser um método de educação aceitável, não nos dias de hoje.

Se você é aquele adulto que usa o discurso do “eu apanhei e sobrevivi”, “porque no meu tempo não era assim”, “na minha época não tinha essas frescuras”. Eu acho que de repente você ainda não parou para pensar, mas aquela época em que você era criança não era o “seu tempo” era o tempo dos seus pais, eram eles quem ditavam as regras, aquele era o tempo que eles tiveram para construir o futuro, a geração de pais das décadas de 70, 80 e 90 formaram os adultos de hoje.  A sociedade em que vivemos hoje foi plantada lá atrás pelos adultos daquela época.

E ai, você que defende a eficácia do educar da mesma maneira que fomos criados, você está satisfeito com o mundo que vivemos hoje?

Me perdoe, mas seguir com esse pensamento retrógrado “Eu sobrevivi, não roubo, não mato, trabalho decentemente. Logo sou uma pessoa bacana. Então bora lá repetir tudo o que eu vivi na vida do meu filho.” só podem ser por ignorância ou quem sabe algum tipo de preguiça intelectual.

Desconsideraram completamente o fato de ter se passado 25, 30 anos entre a nossa infância e a dos nossos  filhos. Para eles pouco importa se nesse tempo foi descoberto que o açúcar é o maior responsável pela obesidade. Ué se eu tomei refrigerante a vontade a minha infância toda e estou aqui, com o meu filho farei da mesma maneira. De nada vale que pesquisas sejam feitas, pouco importa que novas informações sejam divulgadas, e daí que novas maneiras de entender surjam. A vida é minha e eu faço do meu jeito!

Mas na época dos nossos avós o melhor que era oferecido ou possível de ser oferecido era que a criança fosse à escola para saber ler e escrever, e foi na geração dos nossos pais que houve uma grande evolução por conta dos estudos, evolução essa que serviu de base para os grandes avanços que vemos hoje,  a preocupação de muitas famílias daquela época era de que só a alfabetização não era mais o suficiente, e já se existia a preocupação de ir além, se preparar para poder ter um bom emprego.

Os adultos de hoje, que insistem em defender a violência como método de educação, dentro da  ignorância a qual escolheram viver, só fazem julgar quem quer que pense diferente, rotulando  de “cheios de frescura”, “escravo dos filhos”, e o que mais me incomoda “criadores de tiranos”. Não é só porque eu não bato e não grito com o meu filho que eu não estou o educando, eu escolhi estar ao lado dele durante a primeira infância em tempo integral, na difícil tarefa de educar sem violência, a criação com apego (attachment parenting) é um método bem interessante de educação não violenta, mas que mesmo assim não faz o meu caminho menos penoso. Eu não estou aqui para dizer que para mim educar é fácil, muito pelo contrário, eu mato um leão por dia para conseguir educar com respeito, principalmente porque é muito difícil oferecer algo que eu não tive. leia (O que o seu filho aprende quando você grita com ele)

Temos muita sorte que os nossos antepassados, não pensavam assim como eles pensam hoje, não seguiram o mesmo discurso que ouvimos hoje, pois houve uma época em que não se era necessário acompanhamento do pediatra e nem vacinação, mas que mesmo assim muitos sobreviveram. Muitas crianças iam direto para o trabalho sem nunca terem pisado em uma escola, e nem por isso se tornavam ladrões. Crianças que os pais nunca foram alfabetizados, se as crianças aprendessem a assinar o próprio nome já estava de bom grado.

Será mesmo que os pais dessas pessoas estavam assim tão tranquilos com relação ao futuro deles? ou será que tentavam o possível e o impossível para que tivessem uma melhor criação do que a que eles próprios tiveram?

Certeza que se eles tivesses feito a preguiçosa opção de manter o “no meu tempo”,  eles não teriam ido para escola além do primário, não teria conhecido lugares novos e muito menos a tecnologia que temos hoje.

Muitos vão dizer “o filho é meu, e eu educo como eu bem entender”, Mas será mesmo que é assim que funciona uma sociedade? queria deixar algo para que você reflita: Para guiar um carro é necessário que sigamos algumas regras de trânsito, o que acontece quando alguém resolve fazer do jeito que bem entender? Acidentes, né. E muitas vezes vitimando aqueles que estavam seguindo a “tal da regra”. Esse tipo de situação é revoltante não só para mim, mas para todos.

A educação que a gente escolhe dar aos nossos filho não diz respeito só a nós,  criamos os nossos filhos para mundo. E eu te pergunto, para que tipo de mundo você está criando o seu?